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Na cruz, a justiça na medida de Deus
Da Encíclica «Dives in Misericordia» do Servo de Deus João Paulo II Magno, papa: É precisamente a Redenção a última e definitiva revelação da santidade de Deus, que é a plenitude absoluta da perfeição: plenitude da justiça e do amor, pois a justiça funda-se no amor, dele provém e para ele tende. Na paixão e morte de Cristo — no fato de o Pai não ter poupado o Seu próprio Filho, mas «o ter tratado como pecado por nós» (2Cor 5,21) — manifesta-se a justiça absoluta, porque Cristo sofre a paixão e a cruz por causa dos pecados da humanidade. Dá-se na verdade a «superabundância» da justiça, porque os pecados do homem são «compensados» pelo sacrifício do Homem-Deus. Esta justiça, que é verdadeiramente justiça «na medida» de Deus, nasce toda do amor, do amor do Pai e do Filho, e frutifica inteiramente no amor. Precisamente por isso, a justiça divina revelada na cruz de Cristo é «na medida» de Deus, porque nasce do amor e se realiza no amor, produzindo frutos de salvação. A dimensão divina da Redenção não se verifica somente em ter feito justiça do pecado, mas também no fato de ter restituído ao amor a força criativa, graças à qual o homem tem novamente acesso à plenitude de vida e de santidade que provém de Deus. Deste modo, a Redenção traz em si a revelação da misericórdia na sua plenitude. O mistério pascal é o ponto culminante da revelação e atuação da misericórdia, capaz de justificar o homem, e de restabelecer a justiça como realização do desígnio salvífico que Deus, desde o princípio, tinha querido realizar no homem e, por meio do homem, no mundo. 
Escrito por Dom Henrique às 21h36
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Ele, a luz que ilumina nossa vida
Dos Sermões de Santo Agostinho (354-430), bispo e doutor da Igreja: As palavras do Senhor: «Eu sou a luz do mundo» são claramente, na minha opinião, para aqueles que têm olhos que lhes permitem tomar parte dessa luz; mas aqueles que só têm os olhos do corpo admiram-se de ouvir Nosso Senhor Jesus Cristo dizer: «Eu sou a luz do mundo». Talvez haja mesmo alguns que dizem para si próprios: Não será Cristo este sol que, ao nascer e ao pôr-se, determina o dia? Não, Cristo não é esse sol. O Senhor não é o sol que foi criado, mas Aquele por Quem o sol foi criado. «Por Ele é que tudo começou a existir; e sem Ele nada veio à existência» (Jo 1,3). Ele é, pois, a luz que criou esta luz que vemos. Amemos esta Luz, compreendamo-la, desejemo-la, para chegarmos um dia junto dela, conduzidos por ela, e para vivermos nela de forma a nunca mais morrermos. Vedes, portanto, meus irmãos, vedes, se tendes olhos que vêem as coisas da alma, que luz é esta da qual o Senhor declara: «Quem Me segue não anda nas trevas». Segui este sol e veremos se não caminhareis nas trevas; pois eis que ele se eleva e avança na vossa direção e, seguindo o seu caminho se dirige-se para ocidente. Mas tu deves caminhar para o sol nascente, que é Cristo. 
Escrito por Dom Henrique às 21h31
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Com Ele crucificados, com Ele glorificados...
Dos Sermões de São Bernardo (1091-1153), abade cisterciense e doutor da Igreja: O profeta Isaías descreve-nos uma visão sublime: «Vi o Senhor sentado num trono alto e elevado» (Is 6,1). Magnífico espetáculo, meus irmãos! Felizes os olhos que o viram! Quem não desejaria, com toda a alma, contemplar o espetáculo de tão grande glória? Mas eis que ouço o mesmo profeta contar uma outra visão desse mesmo Senhor, e bem diferente: «Vimo-lo sem aspecto atraente: nós o reputávamos como um leproso» (Is 53,2ss). Tu, portanto, se desejas ver Jesus na sua glória, faz primeiro por vê-l'O na Sua humilhação. Começa por fixar os olhos na serpente que se ergueu no deserto (cf. Jo 3,14), se desejas ver o Rei sentado em Seu trono. Que essa primeira visão te encha de humildade, para que a segunda te reerga da tua humilhação. Que aquela te reprima e te cure o orgulho, antes de esta te encher de desejo e dele te saciar. Vês como o Senhor Se esvaziou a Si mesmo (Fl 2,7)? Que esta visão não te deixe indiferente, se não não poderás, sem tribulação, contemplá-l'O depois na glória da Sua exaltação. «Seremos semelhantes a Ele», seguramente, quando O virmos «tal como Ele é» (1Jo 3,2); sê-Lhe, pois, semelhante desde este momento, ao veres em que Se tornou por causa de ti. Se não recusares ser-Lhe semelhante na Sua humilhação, Ele conceder-te-á certamente o reconhecimento da Sua glória. Jamais suportará que aquele que participou da Sua Paixão seja excluído da comunhão na Sua glória. E tão claro é que não Se recusará a admitir conSigo no Reino aquele que partilhou a Sua paixão, que o ladrão, porque O confessou na cruz, com Ele se encontrou no mesmo dia no paraíso (Lc 23,42). Sim, «pressupondo que com Ele sofremos, com Ele seremos glorificados» (Rm 8,17). 
Escrito por Dom Henrique às 21h27
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1. A crise do sacerdote
Caro Internauta, com alegria ofereço-lhe esta meditação quaresmal do Fr. Raniero Cantalamessa, OFMCap. Ele é o pregador da Casa Pontifícia. A cada Advento e Quaresma prepara o pessoal da Cúria Romana para bem celebrar os mistérios do Senhor. Este texto apareceu em www.zenit.org e foi traduzido por Paulo Marcelo Silva. Zenit faz sempre um belo trabalho. Quem puder ajudá-la economicamente faça-o. É uma pequena ajuda para um resultado grande! A seguir o texto, que dividirei em partes: Na Escritura encontramos a descrição da crise interior de sacerdote, na qual muitos pastores de hoje, tenho certeza, se reconhecerão. É aquela de Jeremias, que, antes de se tornar um profeta, foi sacerdote, “um dos sacerdotes de Anatot” (Jr 1,1). “Sim, Senhor, juro que sempre te servi em vista do bem, que nas horas de sofrimento e nos momentos de angústia, sempre intercedi por quem me odeia... Não me sento na roda dos gozadores, sigo em frente. Consciente da tua mão eu me assento, solitário, pois tu me encheste da tua indignação. Por que minha dor se fez permanente e minha ferida, incurável, sem remédio? Tu bem me pareces um córrego falso, água de mentira.” Em outro trecho, a crise irrompe de maneira ainda mais aberta: “Tu me seduziste, Senhor, e eu me deixei seduzir! Foste mais forte do que eu e me subjugaste!... Pensei: ‘Nunca mais hei de lembrá-lo, não falo mais em seu nome!’” (Jer 20,7-9). Qual é a resposta de Deus ao profeta em crise? Não é um “pobrezinho, tens razão, como és infeliz!”. “Por isso, assim me respondeu o Senhor: “Se tu te converteres, eu te converterei, e na minha presença ficarás. E se souberes separar o que tem valor daquilo que não presta, serás a minha boca” (Jr 15, 19). Em outras palavras: conversão! Falando da novidade do ministério da nova aliança, vimos que esta consiste na graça, isto é, no fato de que o dom precede o dever, e que o dever advém precisamente do dom. Apliquemos, portanto, este princípio fundamental ao ministério sacerdotal. Aquilo que até então consideramos constitutivo da graça sacerdotal, o dom recebido: ministros de Cristo, dispensadores dos mistérios de Deus. Não podemos concluir nossas reflexões sem esclarecer o dever e o apelo que advém deste dom, por assim dizer, a ex opere operantis do sacerdócio. Tal apelo é o mesmo daquele feito por Deus a Jeremias: conversão! Acredito interpretar as preocupações expressas em diversas ocasiões pelo Santo Padre, e que motivaram, ao menos em parte, a proclamação deste ano sacerdotal, dedicando esta última meditação à necessidade de uma purificação no interior da Igreja, a começar pelo clero. O apelo à conversão ressoa nos momentos cruciais do Novo Testamento: no início da pregação de Jesus: “Convertei-vos e crede na Boa Nova” (Mc 1,15); no início da pregação apostólica, o dia de Pentecostes: “Ficaram com o coração compungido e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: ‘Irmãos, que devemos fazer? E Pedro respondeu: “Convertei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos vossos pecados. E recebereis o dom do Espírito Santo!’” (At 2,37). Mas não são estes os contextos que dizem respeito mais diretamente a nós sacerdotes. Nós acreditamos no Evangelho, fomos batizados e recebemos o Espírito Santo. Há um outro “convertei-vos” que nos diz respeito de perto, aquele que ressoa no interior de cada uma das sete cartas às igrejas do Apocalipse. Esse não é direcionado aos não crentes ou aos neófitos, mas às pessoas que vivem há tempo na comunidade cristã. Um dado torna estas cartas particularmente significativas para nós: foram dirigidas ao pastor e ao responsável por cada uma destas sete igrejas. “Ao anjo da igreja de Éfeso escreve”: não se explica o título anjo a não ser que este se refira, de modo direto ou indireto, ao pastor da comunidade. Não se pode pensar que o Espírito Santo atribua a anjos reais a responsabilidade pelas culpas e pelos desvios ocorridos nas diversas igrejas, e que o convite à conversão seja a eles dirigido. 
Escrito por Dom Henrique às 02h18
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2. “Sê fiel até o final”
Retomemos a leitura de algumas destas cartas, buscando nelas colher os elementos de uma autêntica conversão do clero, diáconos, sacerdotes e bispos. Comecemos com a primeira carta, aquela endereçada à igreja de Éfeso. Notemos uma coisa primeiramente. O Ressuscitado não inicia seu discurso falando sobre o que não vai bem na comunidade. Esta carta, como quase todas as demais, começa por destacar os aspectos positivos, o bem que se faz na igreja: “Conheço a tua conduta, o teu esforço e a tua constância; és perseverante. Sofreste por causa do meu nome e não desanimaste” (Ap 2,2). Somente neste ponto intervém o apelo à conversão: “Mas tenho contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te de onde caíste! Converte-te (metanoeson) e volta à tua prática inicial”. O apelo à conversão assume a conotação de um retorno ao primitivo fervor e amor por Cristo. Quem de nós, sacerdotes, não lembra com comoção do momento em que tomamos consciência de estarmos sendo chamados por Deus para servi-lo, o momento da profissão para os religiosos, o entusiasmo dos primeiros anos de ministério como sacerdotes? É verdade que há também o fator da idade, a juventude. Mas neste caso, não se trata da natureza: o que foi graça no passado pode ser graça ainda hoje. “Quero exortar-te”, escrevia o apóstolo ao discípulo Timóteo, “a reavivar o carisma que Deus te concedeu pela imposição de minhas mãos” (2Tm 1,6). O termo grego que aqui foi traduzido como “reavivar” sugere a ideia de assoprar sobre brasas para que voltem a arder, reacender a chama. Em uma das meditações do Advento, vimos como a unção sacramental, recebida na ordenação, pode voltar à atividade mediante a oração e um sobressalto de fé. Também o autor da carta aos Hebreus chamava os primeiros cristãos a resgatarem seu entusiasmo inicial: “Sê fiel até à morte, e eu te darei a coroa da vida”. Da carta à Igreja de Éfeso tomamos portanto o convite urgente a um reencontro do amor e do fervor de um tempo. Um outro componente da conversão sacerdotal podemos encontrar na carta à igreja de Esmirna. Também aqui o Ressuscitado começa destacando o que é positivo: “Conheço tua tribulação, tua pobreza...”, mas segue de imediato o apelo: “Sê fiel até à morte, e eu te darei a coroa da vida”. Fidelidade! O Santo Padre usou esta palavra como título e programa do ano sacerdotal: “Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote”. A palavra fidelidade tem dois significados fundamentais. O primeiro é o de constância e perseverança; o segundo é o de lealdade, retidão, o oposto, em suma, de infidelidade, perfídia e traição. O primeiro significado é aquele presente nas palavras do Ressuscitado dirigidas à igreja de Esmirna; o segundo é aquele que consta nas palavras de Paulo que escolhemos para guiar nossas reflexões: “Que as pessoas nos considerem como ministros de Cristo e administradores dos mistérios de Deus. Ora, o que se exige dos administradores é que cada um se mostre fiel” (1Cor 4,1-2). Estas palavras remetem, talvez propositalmente, àquelas de Jesus no Evangelho de Lucas: “Quem é o administrador fiel e atento, que o senhor encarregará de dar à criadagem a ração de trigo na hora certa?” (Lc 12,42). O contrário desta fidelidade está naquilo que faz, na parábola, o administrador infiel (Lc 16,1ss). A esta fidelidade se opõe a traição da confiança depositada por Cristo e pela Igreja, a vida dupla, o pouco caso para com os deveres de sua condição, especialmente no que se refere ao celibato e à castidade. Sabemos por dolorosa experiência quanto dano pode ser provocado à Igreja e às almas com este tipo de infidelidade. Esta talvez seja a mais dura provação enfrentada pela Igreja neste momento. 
Escrito por Dom Henrique às 02h14
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3. "À igreja de Laodicéia escreve..."
A carta que deve nos fazer refletir, mais do que todas as outras, é aquela ao anjo da igreja de Laodicéia. Conhecemos seu tom severo: “Conheço a tua conduta. Não és frio, nem quente. Oxalá fosses frio ou quente... Mas, porque és morno, nem frio nem quente, estou para vomitar-te de minha boca... Esforça-te, pois, e converte-te” (Ap 3,15s). A tepidez de uma parte do clero, a falta de zelo e a inércia apostólica: creio sejam estes os principais fatores que enfraquecem a Igreja, ainda mais que os escândalos ocasionais de alguns sacerdotes, que chamam mais atenção e são mais fáceis de reparar. “A grande desventura para nós párocos – dizia Santo Cura d'Ars – "é quando a alma se entorpece”. Ele certamente não se incluía entre estes párocos, mas esta sua frase nos faz pensar. Não se deve generalizar (a Igreja é rica de sacerdotes santos que cumprem silenciosamente seu dever), mas igualmente não podemos nos calar. Um leigo comprometido me disse certa vez com tristeza: “A população de nosso país, nos últimos anos, cresceu em mais de 3 milhões de habitantes, mas nós, católicos, estacionamos no número de antes. Algo não vai bem em nossa Igreja”. E, conhecendo aquele clero, eu sabia o que não ia bem: a preocupação de muitos deles não eram as almas, mas o dinheiro e o conforto. Há lugares onde a Igreja permanece viva e evangeliza quase que unicamente pelo empenho de alguns fiéis leigos e organizações leigas, que por sua vez são vistos com desconfiança. São eles que com frequência motivam os sacerdotes, pagando suas despesas, a participarem de um retiro ou de exercícios espirituais, algo que não fariam por iniciativa própria jamais. Por vezes, são justamente aqueles que menos fazem pelo Reino de Deus que mais reclamam suas vantagens. São Pedro e São Paulo sentiram ambos a necessidade de alertar contra a tentação de se comportar como amos da fé: “Sede pastores do rebanho de Deus, confiado a vós... não como dominadores daqueles que vos foram confiados, mas antes, como modelos do rebanho” (cf. 1Pd 5,3), escreve o primeiro. “Não temos a pretensão de dominar a vossa fé; mas o que queremos é colaborar para a vossa alegria”, escreve o segundo (2Cor 1,24). Comportam-se como donos da fé, por exemplo, quando se consideram todos os espaços da paróquia como sua propriedade, cedidos a quem se quer, ao invés de bens pertencentes a toda comunidade, dos quais se tem a custódia, não a propriedade. Estando a pregar em um país europeu que já foi no passado celeiro de sacerdotes e missionários e que agora atravessa uma crise profunda, perguntei a um sacerdote local qual seria, a seu ver, a causa disso. “Neste país, respondeu-me, os sacerdotes, do púlpito e desde o confessionário, decidiam tudo, até quem alguém deveria desposar e quantos filhos deveria ter. Quando se difundiu na sociedade o sentimento e a exigência por liberdade individual, as pessoas se rebeleram e deram as costas à Igreja”. O clero se sentia "dono da fé", ao invés de colaborador da alegria das pessoas. As palavras dirigidas pelo Ressuscitado à Igreja de Laodicéia: “Tu dizes: ‘Sou rico e abastado e não careço de nada’, em vez de reconhecer que és infeliz, miserável, pobre, cego e nu”, fazem pensar em uma outra tentação para o clero quando a paixão pelas almas é colocada em segundo plano: a cobiça de dinheiro. São Paulo já lamentava amargamente: "Omnia quae sua sunt quaerunt, non quae Jesu Christi": todos buscam o próprio interesse, não aquele de Cristo (Fl 2,21). Dentre as recomendações mais insistentes aos anciãos, nas Cartas pastorais, está a de não ser cobiçoso (1Tm 3,3). Na carta de promulgação do ano sacerdotal, o Santo Padre apresenta o Santo Cura d'Ars como modelo de pobreza sacerdotal. “Ele era rico para doar aos outros e muito pobre para si mesmo”. Seu segredo era: “dar tudo e não reter nada”. Em seu longo discurso sobre os pastores, Santo Agostinho propunha aos de seu tempo, como um exercício salutar de consciência, a apóstrofe de Ezequiel contra os pastores negligentes. Não seria inadequado lembrá-la, ao menos para sabermos o que deve ser evitado no ministério sacerdotal: “Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Acaso os pastores não devem apascentar as ovelhas? Comeis de seu leite, vestis sua lã e matais os animais gordos, mas não apascentais as ovelhas. Não fortalecestes a ovelha fraca, não curastes a ovelha doente nem enfaixastes a ovelha quebrada. Não trouxestes de volta a ovelha desgarrada, não procurastes a ovelha perdida, mas as dominastes com dureza e brutalidade” (Ez 34,2-4). 
Escrito por Dom Henrique às 02h12
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4. “Eis que estou à porta e bato”
Mas também a severa Carta à igreja de Laodicéia é, como todas as outras, uma carta de amor. Esta termina com uma das imagens mais tocantes de toda a Bíblia: “Eu repreendo e educo os que eu amo... Eis que estou à porta e bato”. Em nós, sacerdotes, Cristo não bate para entrar, e sim para sair. Quando se trata da primeira conversão, da incredulidade frente à fé, ou da condição de pecado ante a graça, Cristo está fora e bate às portas do coração para entrar; quando se trata de sucessivas conversões, de um estado de graça em direção a outro mais elevado, da tepidez ao fervor, ocorre o contrário: Cristo está dentro e bate às portas do coração para sair! Explico em que sentido. No batismo, recebemos o Espírito de Cristo; este permanece em nós como seu templo (1Cor 3,16), se não for expulso pelo pecado mortal. Mas pode ocorrer que este Espírito acabe por se tornar com que um prisioneiro de um coração de pedra que se forma ao seu redor. Não tem possibilidade de se expandir, permeando as faculdades, as ações e os sentimentos dessa pessoa. Quando lemos a frase de Cristo “Eis que estou à porta e bato” (Ap 3,20), devemos entender que ele não bate do lado de fora, mas de dentro; não quer entrar, mas sair. O Apóstolo diz que Cristo deve ser “formado” em nós (Gl 4,19), isto é, desenvolver-se e receber sua forma plena; é este desenvolvimento que é bloqueado pela tepidez e pelo coração de pedra. Por vezes, se vê ao lado das estradas grandes árvores, cujas raízes, aprisionadas pelo asfalto, lutam para se expandir, erguendo partes do pavimento. Assim devemos imaginar o Reino de Deus no coração do homem; uma semente destinada a se tornar uma árvore majestosa, sobre a qual pousam os pássaros do céu, mas que tem dificuldade de se desenvolver quando é sufocada pelas preocupações terrenas. Ocorrem, obviamente, diferentes graus desta situação. Na maioria das almas empenhadas em um caminho espiritual, Cristo não se encontra aprisionado dentro de uma couraça, mas talvez, por assim dizer, em uma ‘liberdade vigiada’. É livre para mover-se, mas dentro de limites bem precisos. Isto ocorre quando tacitamente se faz compreender aquilo que pode nos pedir e aquilo que não pode nos pedir. Orações sim, mas não a ponto comprometer o sono, o repouso a informação sadia...; obediência sim, mas que não abuse de nossa disponibilidade; castidade sim, mas não ponto de nos privar de qualquer espetáculo descontraído... em suma, o uso de meias medidas. Na história da santidade, o exemplo mais famoso da primeira conversão, aquela de um estado de pecado ao da graça, é o de Santo Agostinho; o exemplo mais instrutivo da segunda conversão, a da tepidez ao fervor, é o de Santa Teresa d'Avila. Aquilo que ela diz sobre si mesma na Vida é provavelmente exagerado e ditado pela delicadeza de sua consciência, mas pode servir a todos nós para um útil exame de consciência. “De passatempo a passatempo, de vaidade a vaidade, de ocasião a ocasião, comecei a colocar minha alma novamente em perigo. As coisas de Deus me davam prazer, mas não sabia me desvincular daquelas do mundo. Queria conciliar estes dois inimigos, tão contraditórios entre si: a vida do espírito com os sabores e passatempos dos sentidos”. O resultado dessa condição era uma profunda infelicidade: “Caía e me reerguia, e mal me reerguia voltava a cair. Era tão baixa em termos de perfeição que quase não me dava conta dos pecados venais, e não temia os mortais como deveria, porque não evitava os perigos. Posso dizer que a minha vida era das mais penosas que se poderia imaginar, porque não gozava de Deus, nem me sentia satisfeita com o mundo. Quando me dedicava aos passatempos mundanos, o pensamento acerca daquilo que devia a Deus me fazia transcorrer com pesar; e quando estava com Deus, os afetos do mundo me perturbavam”. Muitos sacerdotes poderiam descobrir nesta análise a razão profunda de sua insatisfação e descontentamento. Foi a contemplação do Cristo da paixão que deu a Teresa o impulso decisivo que fez dela a santa e mística que conhecemos. 
Escrito por Dom Henrique às 02h11
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5. “Quero esperar!”
Voltemos, para encerrar, à resposta de Deus aos lamentos de Jeremias. Deus faz a seu profeta convertido promessas que adquirem um significado muito particular quando lidas como se fossem dirigidas a nós, sacerdotes da Igreja católica, no momento atual de desconforto que atravessamos: “Se souberes separar o que tem valor daquilo que não presta”, isto é, se souberes distinguir aquilo que é essencial daquilo que é secundário em tua vida, se preferires minha aprovação ao invés da dos homens; “tu serás como a minha boca”. “Eles passarão para o teu lado e tu não passarás para o lado deles”: será o mundo que buscará teu favor, não tu ao do mundo. “Farei que sejas um muro forte, de bronze (estes dizeres dirigem-se agora ao Santo Padre); vão guerrear contra ti, mas não te vencerão, pois contigo eu estarei para te salvar e livrar” (Jr 15, 19-20). O que precisamos neste momento é de um impulso de esperança; devemos voltar a ler a encíclica “Spe salvi sumus”, de nosso Santo Padre. A Escritura nos apresenta diversos exemplos de impulsos de esperança, mas um me parece particularmente instrutivo e apropriado para a situação atual: a Terceira Lamentação de Jeremias. Começa num tom desconsolado: “Alguém eu sou que viu a miséria, sob a vara de sua ira. A mim ele levou e fez andar nas trevas, não na luz... Tornei-me escárnio do meu povo, objeto constante de suas canções. Falei: ‘Terminou meu prestígio, desiludi-me do Senhor!’” (Lm 3,1-18). Mas neste ponto, é como se o profeta fizesse uma reavaliação repentina; diz a si mesmo: “É graças ao Senhor que não fomos aniquilados, porque não se esgotou sua piedade. Há bondade no Senhor, sem fim, misericórdia que não acaba! Cada manhã ele se manifesta e grande é sua fidelidade. Disse-me a alma: o Senhor é minha partilha, e assim nele confio”. E a partir do momento que toma a decisão - “Quero esperar”, o tom se altera, e da triste lamentação, converte-se em confiante espera de restauração: “O Senhor é bom para quem nele confia, para a alma que o procura. Bom é esperar em silêncio o socorro do Senhor. Estenda a face a quem o fere, e se farte de opróbrios! Porque o Senhor não repele para sempre. Após haver afligido, ele tem piedade, porque é grande sua misericórdia. Não lhe alegra o coração humilhar e afligir os homens” (Lm 3,22-33). Estava eu pregando um retiro para o clero de uma diocese americana, abalada pela reação indiscriminada da opinião pública diante dos escândalos cometidos por alguns de seus membros. Foi logo após a queda das Torres Gêmeas, e os escombros materiais pareciam um símbolo de outros escombros. Este texto da Escritura contribuiu visivelmente para o restabelecimento da confiança e da esperança de muitos. Cristo sofre mais do que nós com a humilhação de seus sacerdotes e com a aflição de sua Igreja; se a permite, é por que sabe o bem que dali pode brotar, em vista de uma maior pureza de sua Igreja. Se houver humildade, a Igreja sairá mais esplendorosa que nunca desta guerra! A fúria da mídia – que podemos ver também em outros casos - no longo prazo teve o efeito oposto daquele desejado. O convite de Cristo: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso” era dirigido, em primeiro lugar, aos que lhe estavam próximos, e hoje aos seus sacerdotes. “Vinde a mim e eu vos darei descanso”: o fruto mais belo deste ano sacerdotal será um retorno a Cristo, uma renovação de nossa amizade com ele. Em seu amor, o sacerdote encontrará tudo aquilo do qual se privou humanamente e “cem vezes mais”, segundo sua promessa. Transformemos então o protesto inicial de Jeremias em agradecimento: “Obrigado, Senhor por um dia nos ter seduzido, obrigado por termos nos permitido seduzir, obrigado por nos dar a possibilidade de retornarmos a ti e por nos recuperar após cada tentativa de fuga. Obrigado por confiar a nós ‘a custódia de teus átrios’ (Zc 3,7) e por fazer de nós ‘a tua boca’. Obrigado por nosso sacerdócio! 
Escrito por Dom Henrique às 02h06
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Pobre Isabella, pobres Nardonis, pobres nós!
Foi condenado o casal Nardoni pela morte da pobre criança Isabella. Um crime terrível, repugnante... Pessoalmente, penso que a sentença foi correta e justa. De parabéns a justiça brasileira! Mas, é de cortar o coração o papel da imprensa que explora e sensacionaliza tão grande miséria... É de cortar coração a euforia das pessoas pela condenação do casal, com fogos de artifício e tudo... Hoje, não me alegro pela condenação do casal. Hoje rezarei por eles, que passarão tanto tempo na antessala do inferno, hoje pedirei que o Senhor tenha deles misericórdia e socorra a humanidade, para que não pratique atos tão miseráveis. Na época do assassinato, escrevi um texto sobre isto. Reproduzo-o aqui, novamente! Lições do Caso Isabella e doutros Há muito de tristeza no caso da menina Isabella Nardoni. Há a tristeza pura e simples de ver uma criança no início de sua vida ser brutalmente assassinada, jogada janela abaixo. Quanta brutalidade, que insensibilidade! Escandaliza-nos ainda mais o fato de ser uma criança que, como tal, necessita de proteção e carinho dos adultos. Há, no entanto, dois outros aspectos que muito me têm decepcionado e entristecido em toda esta história. Primeiramente o papel de certa mídia. Ansiosa por notícias, pelo espetacular e o emocional, por aquilo que Bento XVI chamou de “protagonismo”, não hesita em instrumentalizar a dor e a miséria dos outros. Só se fala no caso Isabella, e com todos os requintes de um barato dramalhão mexicano. Um exemplo: tenho visto às vezes o programa do apresentador José Luiz Datena. É tremendo, é hipócrita, é imoral! Fala-se em Isabella em tons dramáticos destemperados e, tome comercial: compre um toca-disco para vinil; mostra-se indignação e julga-se todo mundo e, tome mais comercial: compre este celular que dança, assobia, e fotografa a via-láctea... O importante não é a verdade serena, transparente, sóbria; o que interessa não é refletir com calma sobre o acontecido para tentar melhor compreender o ser humano... Nada disso! É o “espetaculoso”, o grotesco, o que dá audiência, nem que para isso se pise a dignidade das pessoas e se passe por cima de sentimentos e dramas... Depois, houve a triste cena da prisão do pai e da madrasta da menina: as pessoas na rua pulando de alegria. Quanta pobreza humana, quanta superficialidade, quanta incapacidade de compreender! Ainda que aqueles dois sejam culpados, não deveríamos nos alegrar com a miséria de ninguém! Somos tão diferentes, mas também somos tão iguais: vindos da mesma fábrica, feitos da mesma matéria, feridos das mesmas feridas! Certo, que o mal deve ser combatido; certo, que culpados devem ser punidos. Mas, em cada culpado está um pouquinho de cada um de nós, em cada maldade aparece um pouco do mal que corrói nosso coração. Em certo sentido eu sou uma partezinha dos culpados e os culpados são uma partezinha de mim. Quando descobrimos isso, tornamo-nos mais humildes, menos hipócritas e mais cuidadosos em observar e combater o mal que ronda nosso coração. Pelo pai e a madrasta de Isabella, pelos nossos políticos corruptos, pelos que matam e pelos que morrem, pelos que fazem da notícia uma hipocrisia, pelos que se aproveitam da dor dos outros para comemorar, pelos que olhando as feridas alheias se esquecem das suas, por mim, membro dessa humanidade tão bela e tão feia, eu peço, com humildade e tristeza: Senhor, tende piedade de nós! 
Escrito por Dom Henrique às 01h11
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Meu Bento XVI

Nunca escondi meu profundo amor por Joseph Ratzinger. É antigo: desde 1981. Em novembro daquele ano, seminarista em férias, li um texto seu. Lá havia uma frase do então Cardeal Arcebispo de Munique: “Ninguém é maduro de verdade até que tenha enfrentado sua própria solidão!” Meus olhos marejaram (como marejam agora, neste momento). Pensei: quem afirma isto só pode ser um homem de verdade, só pode ser alguém que tem uma profunda experiência de Cristo! Eis aqui um homem de Igreja que continuou homem, com um coração, com sensibilidade, com retidão! Um ano depois, dei com uma entrevista do Cardeal, agora nomeado Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Ele afirmava: “O primeiro dever do Bispo é defender a fé dos pequenos contra a prepotência de alguns teólogos...” Vibrei de alegria! O homem era realmente católico em cada fibra: sabia que a fé supera a razão e que o Mistério não se apreende em profundidade a não ser de joelhos e bebendo a límpida fé da Mãe Igreja, fé que se manifesta sobretudo nos pequenos, nos simples, no Povo de Deus em seu dia-a-dia. Ratzinger tornou-se para mim uma referência. Doíam-me tanto as calúnias contra ele, as afirmações de muitos adeptos da Teologia da Libertação, que deformavam a imagem e o pensamento do Cardeal de modo vergonhosamente desonesto. Lembro-me das declarações pervertidas de Leonardo Boff e companhia a respeito do Cardeal Prefeito que, generosamente, ajudara ao próprio Boff nos tempos de estudo na Alemanha... Aqui no Brasil, as editoras católicas o censuravam metodicamente... Se algum seu escrito perdido aparecia, era dos menos expressivos e importantes... A imprensa só falava do Cardeal para criticá-lo, insuflada por certos setores da Igreja no nosso País... A coisa intensificou-se quando da doença de João Paulo II. Agora era preciso queimar de vez o Cardeal da Inquisição, o Desumano, o Ditador... Foi uma pesada campanha dentro e fora da Igreja, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa... As pessoas nunca leram nada de Ratzinger, mas o antipatizavam de todo o coração. Recordo do conhecido jornalista Alexandre Garcia, que confessou ter comprado livros de Ratzinger e lido seus textos. Tomou um susto: o homem que escrevera aquelas coisas não era nada daquele monstro que diziam... Eis: o preconceito, filho da ignorância e irmão da má-fé! 
E veio o Conclave. Aquele que no céu tem o seu trono riu-se dos planos dos homens e zombou dos grandes e sabidos deste mundo. Ratzinger tornou-se Bento XVI! Ouvi entrevistas, vi matérias na imprensa nacional e internacional simplesmente vergonhosas, vi entrevistas de teólogos – recordo de um da PUC de São Paulo à TV alemã – simplesmente revoltantes: mentirosas, desonestas, caluniadoras, sem caridade... E aí está Bento XVI: amado por seu rebanho e por tantas pessoas de boa vontade, pela gente simples, cristã, de DNA católico; homem profundo, mergulhado em Cristo, nele alicerçado; homem doce e ao mesmo tempo tão firme; homem que não tem medo de proclamar a verdade, sem gritar, sem impor, mas sem jamais escondê-la: mostra-a inteira, límpida, serena, cortante, libertadora! No tocante à vida moral do clero, menos de um mês antes de ser eleito Papa, na via-sacra do Coliseu, afirmou sem meias palavras, desgostando a muita gente: “E que dizer da terceira queda de Jesus sob o peso da cruz? Pode talvez fazer-nos pensar na queda do homem em geral, no afastamento de muitos de Cristo, caminhando à deriva para um secularismo sem Deus. Mas não deveríamos pensar também em tudo quanto Cristo tem sofrido na sua própria Igreja? Quantas vezes se abusa do Santíssimo Sacramento da sua presença, frequentemente como está vazio e ruim o coração onde Ele entra! Tantas vezes celebramos apenas nós próprios, sem nos darmos conta sequer d’Ele! Quantas vezes se distorce e abusa da sua Palavra! Quão pouca fé existe em tantas teorias, quantas palavras vazias! Quanta sujeira há na Igreja, e precisamente entre aqueles que, no sacerdócio, deveriam pertencer completamente a Ele! Quanta soberba, quanta autossuficiência! Respeitamos tão pouco o sacramento da reconciliação, onde Ele está à nossa espera para nos levantar das nossas quedas! Tudo isto está presente na sua paixão. A traição dos discípulos, a recepção indigna do seu Corpo e do seu Sangue é certamente o maior sofrimento do Redentor, o que Lhe trespassa o coração. Nada mais podemos fazer que dirigir-Lhe, do mais fundo da alma, este grito: Kyrie, eleison – Senhor, salvai-nos (cf. Mt 8, 25)". Um homem assim não passa despercebido: ou é amado ou profundamente odiado! E há muitos que odeiam este santo e bendito Papa! Foi ele que, logo ao assumir, suspendeu o Padre Marcial Maciel, sacerdote famoso e muito apreciado por João Paulo II (o Papa João Paulo desconfiava muitíssimo de acusações na área de pedofilia, porque os comunistas poloneses utilizavam muitas acusações falsas como modo de desmoralizar o clero polaco. Isto criou em João Paulo II uma tendência a não dar muito crédito às acusações. Sempre que via um padre zeloso ser acusado, a tendência era logo recordar as mentiras dos comunistas poloneses... daí, a lentidão do processo do Pe. Macial. Foi um erro compreensível, mas um erro). Bento XVI não! Suspendeu o Pe. Maciel e determinou que vivesse seu fim de vida de modo recluso e sem contato algum com os fieis, numa vida de oração e penitência. O mesmo com o conhecidíssimo italiano Pe. Luigi (Gino) Burresi. Sua punição foi severíssima. Aos Bispos sempre recomendou tolerância zero com a pedofilia. Em seus pronunciamentos sobre o tema, nunca, Papa algum foi tão direto, claro e radical: na Igreja não há lugar para pedófilos. Os pedófilos devem ser demitidos do estado clerical e os Bispos devem comunicar à justiça comum! Tanto que em seu pontificado os casos de pedofilia desabaram... Mas, nada disso interessa à imprensa, sobretudo aos jornais anticatólicos como New York Times, La Repubblica, El País, Spiegel... Para estes não interessa a verdade: interessam os fatos distorcidos, as meia verdades que, somadas, dão uma enorme mentira, uma triste difamação, uma calúnia monstruosa... O mesmo fizeram com Pio XII... Qual o objetivo? Desautorizar um Papa incômodo, cuja única preocupação é testemunhar o Cristo com toda a inteireza da fé católica. E nada é tão incômodo e antipático quanto isto! Por isso mesmo, tudo quanto este Papa diga ou faça é distorcido, deformado e, depois, duramente criticado, até ao paroxismo... Mas, Bento XVI seguirá seu caminho! No meu primeiro encontro com ele como Bispo novo com o Sucessor de Pedro, disse-lhe: “Santo Padre, o Povo de Deus lhe quer bem! Nós rezamos por Vossa Santidade, nós estaremos sempre ao lado de Vossa Santidade!” Ele sorriu aquele sorriso tímido, mas tão humilde e franco e disse: “Obrigado! Muito obrigado! Eu preciso tanto do vosso sustento!” Só quem não o conhece poderia pensar que ele se dobra! Ninguém é tão perigosamente livre, é tão docemente forte quanto o homem que fez de Cristo o seu refúgio, a sua luz, a sua certeza! Bento XVI – santo Bento XVI, bendito Bento XVI! – é assim. Hoje, 29 anos depois daquele 1981, quando, de coração apertado, imagino a dor e a solidão deste homem de Deus, consolo-me pensando no gigante que ele é e vem-me forte, mansa, decidida, certa, a sua palavra: “Ninguém é maduro de verdade até que tenha enfrentado sua própria solidão!” Bento XVI é maduro, Bento XVI não tem medo da própria solidão, pois ela é toda povoada por Cristo! Deus o abençoe sempre, Padre Santo! Deus o abençoe e o livre das mãos de seus ferozes e maldosos inimigos! 
Escrito por Dom Henrique às 21h29
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A Páscoa do Senhor e do mundo
Aproxima-se a festa da Páscoa, a maior e mais solene de nossa fé cristã. Não há festa como a Páscoa! Infelizmente, na consciência dos cristãos não é tão clara esta magnitude, esta central importância da Festa pascal para a nossa fé. É impressionante esta constatação. Trata-se de uma gravíssima falha na nossa evangelização! Basta ver as igrejas replenas na Sexta-feira santa e apenas modestamente cheias na santa Vigília Pascal, à qual muitos, espantosamente, chamam ainda de “Sábado do Aleluia”! Que indigência teológica, espiritual e litúrgica! E, no entanto, não há festa como a Páscoa: por ela, e só por ela, somos cristãos! Efetivamente, não cremos no Senhor Jesus porque ele pregava bonito - tantos falam belamente! Não somos discípulos de Jesus porque ele realizou milagres ou era um homem bom - tantos são bondosos e, verdadeira ou falsamente, realizam prodígios! Cremos em Jesus, professamo-lo, somos seus discípulos, servos e adoradores porque ele ressuscitou, venceu a morte, passou desta vidinha nossa, chocha, pequena, provisória, para a plenitude da Vida eterna, da Vida do próprio Deus - Vida sem fim, sem peias, na qual não mais há pranto, saudade, sofrimento, tristeza! O próprio Cristo prevenira: “Saí do Pai e vim ao mundo; de novo deixo o mundo e vou para o Pai” (Jo 16,28). Isto mesmo: Jesus passou deste mundo para o Pai, para o mundo de Deus: fez a sua Páscoa! Entrou, agora, na plenitude da vida; ele que, feito homem, assumira esta nossa vida tão limitada! Mas, não é só: “Sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). Sua passagem para o Pai, atravessando o vale da nossa morte, foi por amor! Ele, feito homem até a morte, viveu e morreu como nós, venceu a nossa morte, que fizera sua, e nos dá agora a possibilidade de, nele, vencermos também a morte: as pequenas e grandes mortes de cada dia: as tristezas e decepções, as derrotas e quedas, os medos e solidões, as lágrimas e desesperos... ele, que experimentou tudo quanto experimentamos, nos dá a força de vencer tudo isto, que ele mesmo venceu! Mas, não é só: ele nos faz vencer a última morte, aquela, física, final, que todos, cedo ou tarde, enfrentaremos! A sua ressurreição é motivo da nossa; a sua vitória ele no-la dá, pois nos deu o seu Espírito de Ressurreição! Ó irmãos, eis a Páscoa! A cruz da vida, as paixões que sofremos têm agora um novo sentido, pois podemos vivenciá-las unidos ao nosso Jesus. Não mais estaremos sozinhos. A vida não é mais tragada pelo absurdo da injustiça, da maldade e da morte, pois o Senhor transformou tudo isto em amor ao Pai e aos irmãos. Nossa vida, unida a Cristo, desemboca não mais na morte, no nada ou no vazio absurdo mas, passando pelo vale da morte, deságua na Vida, na Vida eterna - aquela Vida plena, Vida do próprio Deus! Celebrar a Páscoa é nunca mais perder a esperança, é nunca mais dizer que o mundo e a vida são assim mesmo: tenebrosos, votados à derrocada e à tristeza. Celebrar a Páscoa é nunca se conformar com o mal e o pecado. Celebrar a Santa Festa é ter a certeza que, para além do mal, das trevas, do egoísmo e da morte, a Vida do Ressuscitado nos dará a Vida! Ó irmãos, que nossa fé, nossa vida e esperança sejam pascais! Cristo venceu e vencerá em nós! Vinde! De joelhos, boquiabertos de admiração e alegria, adoremos o Vencedor: “Eu sou a ressurreição e a vida! Quem crê em mim não morrerá para sempre!”(Jo 11,25s). Feliz Páscoa, irmãos! O nosso Irmão, Jesus, ressuscitou!
Escrito por Dom Henrique às 10h26
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Para deixar mais claro o que já está claríssimo!
Caro Internauta, deixo-lhe este texto aparecido em www.zenit.org. Vale a pena lê-lo! Aliás, peço a quem puder que não deixe de ajudar economicamente esta Agência de notícias que tanto bem tem feito à Igreja com seu trabalho árduo e fiel ao Santo Padre e à Igreja! Em tempo: o Jornal Nacional hoje foi simplesmente porco e desonesto com o Santo Padre! É a cara Globo, que neste ano irá elevar às alturas o Chico Xavier... Vamos para frente! “Não houve encobrimento algum”, garante o jornal vaticano em sua resposta a um artigo do New York Times, que tenta envolver a Congregação para a Doutrina da Fé, quando tinha como prefeito o então cardeal Joseph Ratzinger, no gravíssimo caso de um sacerdote americano acusado de abusar sexualmente de crianças com deficiência auditiva. Trata-se do Pe. Lawrence C. Murphy, responsável por abusos cometidos contra menores de idade em um centro católico especializado, onde ele trabalhou de 1950 a 1974. Este caso, como explica o próprio jornal nova-iorquino, foi apresentado muito depois, em 1996, pela arquidiocese de Milwaukee, à Congregação para a Doutrina da Fé, cujo prefeito era o cardeal Ratzinger e seu secretário era o então arcebispo Tarcisio Bertone, hoje cardeal secretário de Estado. Como explicou um comunicado do Pe. Federico Lombardi, SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, a arquidiocese americana não apresentou o caso por denúncias de abusos sexuais do sacerdote – uma questão que, para a justiça americana, havia sido arquivada anos atrás –, e sim pela violação do sacramento da penitência, perpetrada através de solicitações sexuais no confessionário, delito castigado pelo cânon 1387 do Código de Direito Canônico. “Como se pode deduzir facilmente lendo a reconstrução realizada pelo New York Times sobre o caso do Pe. Murphy, não houve encobrimento algum”, assegura o L’Osservatore Romano na edição de 26 de março. “Isso se confirma na própria documentação que complementa o artigo do jornal americano – acrescenta o L’Osservatore Romano –, na qual aparece a carta que o Pe. Murphy escreveu em 1998 ao então cardeal Ratzinger, pedindo que a investigação canônica fosse interrompida devido ao seu grave estado de saúde”. De fato, ele faleceu poucos meses depois, em estado de isolamento. “Também neste caso, a Congregação respondeu, através do arcebispo Bertone, convidando o arcebispo de Milwaukee a aplicar todas as medidas pastorais previstas pelo cânon 1341 do Código, para reparar o escândalo e restabelecer a justiça”, garante o jornal vaticano. “É importante observar, como declarou o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, que a questão canônica apresentada à Congregação não estava relacionada de forma alguma com um possível procedimento civil ou pena contra o Pe. Murphy, contra quem a arquidiocese já havia empreendido um procedimento canônico, como evidencia a abundante documentação publicada na internet pelo jornal de Nova York”, acrescenta o artigo. “A pedido do arcebispo, a Congregação respondeu com uma carta assinada pelo então arcebispo Bertone, em 24 de março de 1997, indicando que se procedesse segundo estabelece a Crimen sollicitationis”, carta da Congregação para a Doutrina da Fé sobre os delitos mais graves, revela o jornal da Santa Sé. L’Osservatore Romano explica quais são os critérios indicados à Igreja pelo cardeal Ratzinger e por Bento XVI para esclarecer os diferentes casos de abusos sexuais cometidos por sacerdotes ou religiosos: “transparência, firmeza e severidade”. “Uma forma de agir coerente com sua história pessoal e com mais de 20 anos de atividade como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que evidentemente é temida por quem não quer que se afirme a verdade e que preferiria poder manipular, sem nenhum fundamento, episódios horríveis e casos dolorosos que se remontam a décadas”, afirma o jornal vaticano. O professor Massimo Introvigne, sociólogo e diretor do Centro de Estudos europeu sobre as Novas Religiões, em uma análise compartilhada com a Zenit, constata que os fatos narrados pelo New York Times não são precisos em alguns trechos e inclusive, segundo ele, foram manipulados. “Para desonrar a pessoa do Santo Padre, agita-se um episódio ocorrido há 35 anos, já conhecido e discutido pela imprensa local na década de 70, cuja gestão – enquanto era da sua competência e 25 anos depois dos fatos – por parte da Congregação para a Doutrina da Fé foi canônica e moralmente impecável, e muito mais severa que a das autoridades estatais americanas.” “De quantas destas ‘descobertas’ ainda temos necessidade para perceber que o ataque contra o Papa não tem nada a ver com a defesa das vítimas dos casos de pedofilia – certamente graves, inaceitáveis e criminais, como Bento XVI recordou com tanta severidade –, mas que tenta desacreditar um pontífice e uma Igreja que incomodam os lobbies pela sua eficaz ação de defesa da vida e da família?”, pergunta-se o sociólogo. 
Escrito por Dom Henrique às 00h08
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Pedofilia, um complô contra o Papa
Caro Internuta, leia este texto da cronista italiana Benedetta Sangirardi. Não gosto de insistir sobre certos assuntos sensacionalistas, mas aqui, penso é preciso deixar as coisas o mais claro possível! O texto é muito bom e deve ser lido. Vejamos que escândalos vão inda tirar do baú contra o Papa e contra a Igreja... Umac oisa é certa: Bento XVI vai aparecendo cada vez mais como um gicante homeme de fé de moral admirável! Que Papa, que grande Pastor, o Senhor os concedeu!

O que está acontecendo? Há um complô contra a Igreja? Os casos de pedofilia se sucedem nas páginas dos jornais. Quase um por dia. O que há de verdadeiro e de falso nesta questão? E por que estão aparecendo agora todos os casos (gravíssimos) de pedofilia dentro da Igreja? Alguém está querendo colocar para fora Bento XVI? Segundo quanto parece a Affaritaliani.it colhido de fontes críveis vizinhas ao Vaticano, a vontade é exatamente de jogar na lama a Igreja. trata-se, em suma, de uma verdadeira e própria campanha midiática contra o Papa. Um complô, uma trama anticatólica vinda de certa cultura presente no Ocidente. A voz da Igreja, aos olhos desta cultura, sendo livre e não manipulável, cria não poucos problemas (basta pensar na constante defesa da vida e da dignidade da pessoa contra os interesses de alguns). Não é por acaso que muitos desses “episódios” e acusações de pedofilia venham do Exterior. E não é por acaso que a palavra "lobby" tenha sido cunhada exatamente nos países nos quais é mais presente esta matriz cultural. Mas, vamos por ordem. Estamos assistindo a um verdadeiro e próprio ataque que objetiva desacreditar a Igreja e o Pontífice através das armas principalmente midiáticas. Basta tomar os casos que estão enchendo as páginas dos jornais. Têm todas as características de ser episódios do passado, já encerrados e conhecidos, em grande parte já tratados antes pela mídia. E agora são colocados a público um a um, com certa cadência , para produzir o máximo de efeito. Desde o início a manobra foi clara: chegar ao Pontífice. Partiu-se da tentativa de envolver o irmão do Papa, noticiando os dois casos de abuso sexual no coro de Ratisbona, que na realidade aconteceram anos antes do trabalho de Georg Ratzinger e, sobretudo, eram já conhecidos e encerrados juridicamente. Mas, o nome “Ratzinger” permaneceu lá, nos títulos dos jornais. Depois, trouxeram à luz outro caso já conhecido e encerrado, o do assimchamado “padre H”, na Arquidiocese de Munique, nos inícios dos anos 80. Também este um caso já tratado a seu tempo, no qual era já havia sido constatada - até pelo tribunal que julgou o acusado - a total falta de ligação com o então Arcebispo Ratzinger. O último caso aparecido no New York Times é mais uma tentativa: também aqui os documentos dizem que a Congregação para a Doutrina d a Fé, consultada 20 anos depois dos fatos (os abusos tinham ocorrido nos anos 70), convidou a conservar o sacerdote em questão, mas distante das atividades pastorais, mesmo tendo se passado tantos anos sem evidência de outros crimes e apesar de a justiça civil já ter arquivado o caso. Os números – Ao estalar dos casos singulares (sempre os mesmos de décadas tirados agora do baú) une-se o inchaço das cifres para dar a idéia se um fenômeno extenso e incontrolável. Um exemplo iluminante é a cifra de 4000 casos de abuso nos Estados Unidos que continuamente é repetida. O que se omite dizer é que das 4000 acusações (não sentenças), as que diziam respeito a pedofilia eram 950, que resultaram em 54 condenações, em um período de quarenta anos. Os sacerdotes nos Estados Unidos são 109.000. Os documentos – Um outro elemento é a citação imprópria dos documentos como se existissem redigidos secretamente para encobrir os crimes dos pedófilos. A realidade é que nos dois documentos mais importantes, (públicos e consultáveis também online) o "Crimen sollicitationis", de 1922 reeditado em 1962 por João XXIII e o "De delictis gravioribus", de 2001 assinado pelo então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o Cardeal Ratzinger, está escrito em alto e bom tom que os crimes devem ser pontualmente denunciados e julgados canonicamente. O problema é que os documentos são redigidos em latim e algumas péssimas traduções, unidas à má fé, levaram a confundir frases dando-lhes o sentido contrário. Mas, também aqui, nos títulos dos jornais, ficou a impressão de que as altas esferas mandava ocultar os casos. A realidade é que um sacerdote que se manhca com o crime da pedofilia é uma coisa repugnante, mesmo que seja um só. Assim como é terrível o fato que qualquer expoente da Igreja haja conhecido e escondido s casos. Mas pintar a Igreja como um covil de pedófilos e o Papa e os hierarcas como empenhados e esconder não somente é falso como é exatamente o contrário da realidade! O papel do Papa e os casos de pedofilia O Papa Bento XVI, dentre os papas contemporâneos é, sem dúvida, aquele que mais se esforçou para corrigir esta chaga da Igreja. Para se ter uma ideia da sua atitude diante dos casos de abuso é interessante ler a recente Carta aos Católicos Irlandeses, na qual o Pontífice estigmatiza com determinação o fenômeno, indica suas raízes no afastamento da vida de fé por parte de alguns membros da Igreja e, de modo mais geral em certas confusões devidas à secularização e à má interpretação do Concílio Vaticano II; convida com força os bispos que encobriram ou não reagiram adequadamente a assumir a responsabilidade pelos próprios atos a fim de que não aconteçam no futuro. A mesma clareza e determinação que o Papa mostrou durante sua viagem aos EUA, quando encontrou as vítimas dos abusos, assim como fez na Austrália. Casos em diminuição – Neste meio-tempo um recente relatório da Conferência Episcopal dos Estados Unidos (http://www.usccb.org/comm/archives/2010/10-052.shtml) revela que o número de denúncias dos presumíveis casos por parte de eclesiásticos atingiu o mínimo histórico desde 2004 (quando se começou a registrar). Um sinal a mais de que a “política” de Bento XVI está dando seus frutos. Como se viu, mas que de uma floração incontrolada, aqui se trata de uma chaga que diz respeito sobretudo ao passado, na qual se está colocando a mão com eficácia para cicatrizar as coisas. A realidade, portanto, parece bem diferente. Enquanto mais de 40.000 sacerdotes e um bilhão de fieis pelo mundo se ocupam com a vida, alguém está apontando os refletores sobre algumas dezenas de pobres doentes para desacreditar a Igreja inteira, começando por Bento XVI. 
Escrito por Dom Henrique às 19h57
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Os inimigos do Papa Bento
Meu caro Internauta, a Igreja e, de modo particular, um papa, não podem e não devem ficar preocupados em aparecer de modo belo diante da imprensa mundial e muito menos buscar os seus aplausos, ainda que, atualmente, poucas realidades do nosso mundo globalizado sobretudo midiaticamente tenham um poder ao menos próximo daquele dos meios de comunicação. E, no entanto, não deixa de ser porco, realmente nojento – a expressão é esta e não há outra – a campanha desses meios de comunicação contra a Igreja e, de modo específico, contra o Papa Bento XVI. Todos aqueles que são bem informados sabem que esses meios nunca gostaram do Cardeal Ratzinger. Recordam as manchetes quando da sua eleição? Lembram do rosto do Papa dentro dum bloco de gelo, para dizer que a Igreja agora estava congelada? Foi a capa da Veja. Há jornais que são particularmente desonestos e maquiavélicos quando se trata de Bento XVI: penso no The New York Times, um jornal patologicamente anticatólico; penso no italiano La Reppubblica, que é a voz de tudo quanto na Itália possa causar dano à Igreja, penso no Le Monde francês e no El Pais espanhol... Por que esta minha conversa? Por causa desse assunto já saturado da pedofilia de alguns sacerdotes. Esses órgãos de comunicação fazem o possível para incriminar o Papa de algum modo! Até agora fracassaram e fracassarão sempre, mas como desgastam! Primeiro, inspirados pela BBC (hoje controlada pelo lobby gay), tentaram acusar o então Cardeal Ratzinger de orquestrar todo um programa de acobertamento dos casos de pedofilia. A TV Record – nunca se esqueça a quem ela pertence e como foi comprada! – fez questão de apresentar esse programa no Brasil, mesmo quando as acusações já tinham sido refutadas e desmascaradas na Europa. Agora, com os casos que vieram à baila, tentaram insinuar que o irmão do Papa era pedófilo. Ficou provado que era mentira. Que o irmão do Papa maltratava crianças. Também ficou assentado que não era verdade: ele era rígido e castigava corporalmente as crianças, como qualquer mestre na Alemanha e nas nossas escolas há quarenta, cinqüenta anos atrás. Na Alemanha, certa imprensa marrom tentou afirmar que Ratzinger, quando era Arcebispo de Munique, protegeu um padre pedófilo. Foi provado que a acusação era falsa: o então Arcebispo havia deixado que o referido sacerdote ficasse hospedado na casa paroquial enquanto se submetia a tratamento psicológico, somente como hóspede e sem atividade pastoral alguma. Agora, o The New York Times, por pura maldade e desonestidade, acusou o Papa, quando Cardeal, de encobrir a caso de um padre que teria abusado de 200 crianças. Também é mentira... Aliás, foi Bento XVI quem, assim que assumiu o trono de Pedro, mandou reabrir o caso do Pe. Marcial Maciel e o suspendeu de modo definitivo. A linha de Bento XVI nesses casos sempre foi clara, simples e reta: tolerância zero. O que nos desilude profundamente é perceber de modo claro a desonestidade desses meios midiáticos, que não buscam a verdade, mas usam a informação como puro jogo de poder e de interesses. Mundo cão, o nosso! Mundo marcado profundamente pelo pecado, pela mentira, passando por cima da boa fama dos outros e da retidão de caráter de homens como o Santo Padre! Veremos o que ainda haverão de inventar contra esse homem manso e reto, esse homem de consciência moral elevadíssima, que é Bento XVI. Que Deus o proteja e o livre das mãos de seus tremendos, desonestos e ímpios inimigos. 
Escrito por Dom Henrique às 08h41
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Antipapas e perigos do magistério paralelo
Caro Leitor, vale a penar ler este texti de Dom Giampaolo Crepaldi, Arcebispo de Trieste: A tentativa da imprensa de envolver Bento XVI na questão da pedofilia é só o mais recente dos sinais de aversão que muitos nutrem com relação ao Papa. É necessário perguntar-se como este Pontífice, apesar de sua mansidão evangélica e da sua honradez, da clareza das suas palavras unida à profundidade do seu pensamento e dos seus ensinamentos, suscita em alguns lugares sentimentos de antipatia e formas de anticlericalismo que pareciam superadas. E – isso é preciso dizer – suscita ainda mais assombro e inclusive dor quando aqueles que não seguem o Papa e denunciam seus supostos erros são homens de Igreja, sejam teólogos, sacerdotes ou leigos. As inusitadas e claramente forçadas acusações do teólogo Hans Küng contra a pessoa de Joseph Ratzinger, teólogo, bispo, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e agora Pontífice, por ter causado, segundo ele, a pedofilia de alguns eclesiásticos mediante sua teologia e seu magistério sobre o celibato nos entristecem profundamente. Nunca havia acontecido que a Igreja fosse atacada dessa maneira. Às perseguições contra muitos cristãos, crucificados em sentido literal em muitas partes do mundo, às múltiplas tentativas de desarraigar o cristianismo nas sociedades antes cristãs, com uma violência devastadora no âmbito legislativo, educativo e dos costumes, que não pode encontrar explicações no bom senso, acrescenta-se há tempos uma ferocidade contra este Papa, cuja grandeza providencial está diante dos olhos de todos. Estes ataques, tristemente, são ecoados por aqueles que não escutam o Papa, também eclesiásticos, professores de teologia nos seminários, sacerdotes e leigos. Os que não acusam abertamente o Pontífice, mas silenciam seus ensinamentos, não leem os documentos do magistério, escrevem e falam sustentando exatamente o contrário do que ele diz, dão vida a iniciativas pastorais e culturais, por exemplo, no campo da bioética ou do diálogo ecumênico, em aberta divergência com relação ao que ele prega. O fenômeno é muito grave, já que está muito difundido. Bento XVI ofereceu ensinamentos sobre o Vaticano II que muitíssimos católicos rebatem abertamente, promovendo formas de magistério paralelo sistemático, guiados por muitos “antipapas”; ele ofereceu ensinamentos sobre os “valores não-negociáveis”, que muitíssimos católicos minimizam ou reinterpretam, e isso acontece também por parte de teólogos e comentaristas da fama hospedados na imprensa católica, além da leiga; ele ofereceu ensinamentos sobre a primazia da fé apostólica na leitura sapiencial dos acontecimentos e muitíssimos continuam falando da primazia da situação, da práxis, dos dados das ciências humanas; ele ofereceu ensinamentos sobre a consciência e sobre a ditadura do relativismo, mas muitíssimos antepõem a democracia ou a Constituição ao Evangelho. Para muitos, Dominus Iesus, a nota sobre os católicos na política, de 2002, o discurso de Ratisbona, de 2006, e a Caritas in veritate são como se nunca houvessem existido. A situação é grave, porque esta brecha entre os fiéis que escutam o Papa e aqueles que não o escutam se difunde por todos os lados, até nos seminários diocesanos e nos institutos de ciências religiosas, e incentiva duas pastorais muito diferentes, que já quase não se entendem, como se fossem expressão de duas Igrejas diversas, e provocam insegurança e extravio em muitos fiéis. 
Escrito por Dom Henrique às 11h47
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